casa de repouso mental água viva
terça-feira, 25 de junho de 2013
mumblecore de um só ator
tantas conversas solitárias. a estampa do meu pijama já está na minha pele. essas quatro paredes caem muito bem no local exato onde estão. eu tenho dois medos colossais. um deles é de em algum desses dias me tornar claustrofóbico. o outro é que em algum desses dias, em meio a algum destes monólogos, minha sombra empoeirada comece a dialogar comigo. (outubro, 2011)
terça-feira, 21 de agosto de 2012
6
O ônibus para com pressa. O motorista e seu colar de vísceras. 3 passageiros em seus cantos, meditando o desencanto. Subentende-se um tratado, o de se fazer apagado. Os olhos grudados na janela, nos postes de luz amarela, meia noite na ponte, o meia-ponte achocolatado. Aquele frio molhado. Verde, marrom e sereno. Na calmaria cerebral, um aceno.
sábado, 7 de julho de 2012
5
Evaporou-se a decisiva grama de morte no suor da pele do nômade. É uma história curta. Subitamente, semanas depois de um processo de exalação vagaroso. Foi quando viu um soldado japonês ferido soltar um bocejo imediato de aviso e encostar a cabeça sonolenta em seu ombro direito, quase desligada, a segurar os olhos com o derradeiro fio de sua disciplina oriental. Segundos depois, o soldado dominou o cansaço e foi embora.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
4
Acordado, mas de olhos fechados, tinha me esquecido de que não estava de verdade no meu quarto. Fui me dissociando desse esquecimento quando senti que meus pulmões tinham adquirido um aspecto clorofílico e vaqueado. Desconfiado, abri os olhos. Estava dentro de um paralelepípedo de quatro cores predominantes. Em cima, tiras compridas de madeira envernizada. Na face oposta, onde eu repousava num colchão, um vermelho rajado, gelado, liso e escorregadio, sem divisórias. Os outros quatro lados eram homogêneos em cor de marfim sujado, exceto o que crescia na frente da sola dos meus pés. Esse tinha uma abertura que permitia que a luz entrasse, filtrada por um pano rosado com flores brancas. Esse pano determinava a cor do interior do paralelepípedo e tingia a luz com cheiro de avó.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
2
Caminhando desconcertadamente por uma viela enrugada e cansada de ver por mais de setenta anos paredes sendo construídas, derrubadas e lambidas incontáveis vezes por rolos de tinta, guiados pela esperança de cantantes gerações, um homem sem idade, e com diamantes nos olhos, sente numa rajada de hálito jocoso o impulso de dar vozes a uma nova cantiga.
domingo, 29 de abril de 2012
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