quarta-feira, 20 de junho de 2012

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Acordado, mas de olhos fechados, tinha me esquecido de que não estava de verdade no meu quarto. Fui me dissociando desse esquecimento quando senti que meus pulmões tinham adquirido um aspecto clorofílico e vaqueado. Desconfiado, abri os olhos. Estava dentro de um paralelepípedo de quatro cores predominantes. Em cima, tiras compridas de madeira envernizada. Na face oposta, onde eu repousava num colchão, um vermelho rajado, gelado, liso e escorregadio, sem divisórias. Os outros quatro lados eram homogêneos em cor de marfim sujado, exceto o que crescia na frente da sola dos meus pés. Esse tinha uma abertura que permitia que a luz entrasse, filtrada por um pano rosado com flores brancas. Esse pano determinava a cor do interior do paralelepípedo e tingia a luz com cheiro de avó.