(Meus órgãos do sentido perdem agora o habitual complexo de onisciência. Para eles eu não sou mais um processador. Para mim, eles não são mais os funcionários. Somos um clã de elementos perdidos nessa condição intransigente.)
Todo o meu respeito àquilo que foge das minhas percepções. Eu sinto uma constante reconfiguração das coisas, e isso basta. Não há revolta possível dentro dessa única justiça. Nem com 7 bilhões de porções de órgãos. Meu desprezo se direciona aos meus nítidos semelhantes. Eles exigem reconhecimento pela descoberta da sensação de sangue correndo nas veias. Eles querem construir as regras de uma outra justiça, e edificam um monumento de lixo amontoado em cima de mais lixo para representá-la. Eu olho para o céu, para as plantas e para os porcos. Até cogito a possibilidade de fugir sozinho para algum lugar que ainda não esteja corrompido com esse hálito de cérebro podre, ou de me render a pureza da inexistência... Mas digerir esse desastre, isso jamais.
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