sábado, 28 de abril de 2012

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A resistência desnecessária da língua ao sentir o sabor do sangue. Alguns segundos antes, o barulho dos ossos rompendo-se e da carne arrastada no solo pavimentado. Antes, a certeza de que a maciez e elasticidade dos lábios não será suficiente para isolar os dentes do impacto com chão maciço. Antes, o desequilíbrio do esqueleto rendido. A apreensão e o medo misturados em uma só fumaça, que expande-se irresponsavelmente no espaço limitado da caixa craniana. A pura adrenalina e o vento que rabisca com lâminas a pele. A confiança paralisadora de olhos, frente aos previsíveis obstáculos. O prazer de sacudir-se do contato das estruturas rolantes com os pequenos relevos da plataforma, de escutar os agradáveis ruídos desse processo. A mudança de estado de espírito que acompanha a distorção espaço-temporal. A entrega. A escolha que não tem volta. O impulso delinquente. A insegurança e a respiração ofegante.

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